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Polícia Civil prende advogado e estagiário de Direito durante a operação SPY

A Polícia Civil do Amazonas, por meio do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), deflagrou nesta segunda-feira (15/06), por volta das 9h, a operação ‘SPY’, que resultou nas prisões de um advogado de 41 anos, e de um estagiário de Direito de 29 anos, investigados por obstrução de investigação de organização criminosa, além de outros crimes. Durante os trabalhos, foram cumpridas quatro ordens judiciais, sendo dois mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária em nome dos investigados.

A ação foi coordenada pela delegada-geral da Polícia Civil, Emília Ferraz, e pelos delegados Rafael Allemand, Marna de Miranda e Daniel Antony, diretor e diretores-adjuntos, respectivamente, do DRCO.

“Nesta manhã, o DRCO deflagrou essa operação que teve como objetivo acabar com a organização criminosa que desviava informações de ações policiais em andamento, por intermédio de uma senha que dava a eles a possibilidade de acessar os processos, inclusive em sigilo de Justiça, e depois revendiam essas informações para narcotraficantes. Hoje, foram presas duas pessoas que participavam dessa organização que, aliás, eram os mentores intelectuais dos delitos”, declarou Emília Ferraz.


Delegada-geral da Polícia Civil, Emília Ferraz. (Foto: Alailson Santos)

Prisões - Conforme o delegado Rafael Allemand, durante os trabalhos, foram cumpridas quatro ordens judiciais, sendo dois mandados de prisão temporária e dois mandados de busca e apreensão. O advogado foi preso no conjunto Campos Elíseos, no bairro Planalto, zona centro-oeste. O estagiário de Direito foi preso na residência dele, no bairro Alvorada, também na zona centro-oeste da cidade. Na operação, foram apreendidos notebooks e pen-drives.

Investigação – Rafael Allemand explicou que as investigações em torno da operação duraram cerca de um mês. O diretor do DRCO disse que os dois indivíduos, utilizando uma senha de acesso a processos, acessavam informações sigilosas de operações policiais que estavam em andamento e vendiam essas informações para os investigados.


Delegado Rafael Allemand. (Foto: Alailson Santos)

“Eles acessavam de forma clandestina esses processos, pegavam informações que estavam com sigilo judicial, identificavam os alvos dessas operações, entravam em contato com esses alvos e passavam os detalhes dos processos em troca de uma contraprestação. Nós temos materializado nesse procedimento investigativo, que um dos alvos, apenas por uma única informação, pagou R$ 40 mil a eles. Foi assinado um contrato de prestação entre o advogado e esse investigado”, pontuou o diretor do DRCO.

Allemand informou que os acessos eram realizados por meio de uma senha que o estagiário de Direito obteve desde à época em que ele trabalhava em um órgão estadual e tinha acesso para acompanhamento dos processos daquela instituição. O diretor do DRCO destacou, ainda, que o departamento contou com o apoio do Departamento de Tecnologia da Informação do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) para identificar os acessos aos processos sigilosos.

“Conseguimos identificar o perfil de quem estava acessando os processos, fizemos toda a investigação sobre essa pessoa, no caso o estagiário, e que essa pessoa atuava com o advogado. Junto com o setor de tecnologia do TJAM, conseguimos verificar que esses acessos ilegais já duravam mais de um ano e o intuito dessa operação foi cessar um acesso ilícito em investigações sigilosas para posteriormente serem repassadas informações em troca de receber dinheiro e prejudicar o trabalho da Polícia Civil como um todo”, ressaltou Allemand.

Procedimentos – Os dois indivíduos serão indiciados por obstrução de investigação de organização criminosa, vazamento de conteúdo sigiloso de interceptação telefônica, extorsão e associação criminosa. Ao término dos procedimentos cabíveis na base do DRCO, a dupla será levada para o Batalhão de Guarda da Polícia Militar do Amazonas, onde irão ficar à disposição da Justiça.

 

 

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